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Cotidiana Brasilis
Desde: 09/03/2019      Publicadas: 5      Atualização: 19/03/2019

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 Desenvolvimento

  11/03/2019
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Do mel ao veneno

Como a presença cada vez maior de agrotóxicos neonicotinóides tem causado a extinção progressiva das abelhas.

 

Apesar do entendimento composto pela ANVISA de que agrotóxicos “cujas características causem danos ao meio ambiente” sejam proibídos em território nacional, as abelhas estão agora entrando em abrupto declínio de sua população com a causa, comprovada por milhares de artigos científicos internacionais, diretamente relacionada ao uso de agrotóxicos do grupo neonicotinóide, inseticida derivado da nicotina, foi provado que esses agrotóxicos causam transtornos no sistema nervoso das abelhas, as impedindo de funcionar corretamente, o que compromete a colméia como um todo, podendo muitas vezes dizimá-la completamente, tal fenômeno ficou conhecido como Distúrbio do Colapso das Colônias.

 

Contudo, numa publicação referente ao Workshop de 2014 denominado “Relação Produtiva entre Agricultura e Apicultura”, sobre a supervisão da Embrapa e realizado pela SBDA (Sociedade Brasileira de Defesa Agropecuária), se procurou amenizar os riscos do uso deste agrotóxico com menções de descrédito à certas denúncias ao mesmo afirmando não haverem “estudos conclusivos” o suficiente para seu desuso, o pesquisador Marcos Botton, um dos que saíram em em defesa do neonicotinóide, afirmou que no Brasil já haviam se perdido pelos menos 7 inseticidas no setor de frutas das regiões subtropicais e temperadas nos últimos 6 anos, dando uma maior ênfase à falta de alternativas para combater as pragas, todavia o pesquisador Pedro Yamamoto, também presente no Wokshop e mesmo favorável ao uso deste agrotóxico, reforçou o problema dos efeitos subletais dos neonicotinóides sobre as abelhas, isto é, seus efeitos letais de forma indireta, alertando ser necessário um maior investimento em pesquisas na área para alcançar uma mitigação de riscos adequada.

 

Tal Workshop se deu após o IBAMA em 2013 restringir o uso deste agrotóxico, pelo menos como medida cautelar, mas sendo rigorosamente rechaçado por estes mesmos pesquisadores que não queriam correr o risco de perder algumas safras em busca de medidas menos invasivas.

 

Dra Maria Cecília de Lima, pesquisadora do IBAMA, relata, num estudo sobre os mais variados agrotóxicos e seus efeitos na abelhas, que “o início da comercialização da Clotianidina, semelhante ao que ocorreu com o Imidacloprido, coincidiu com eventos de mortandade de abelhas, o que levantou suspeitas sobre esse produto e os demais neonicotinoides, classe de inseticidas também associada à Desordem do Colapso da Colônia, que abrange a Clotianidina, o Imidacloprido e o Tiametoxam. Mas, diferentemente dos piretroides, isso levou vários países a suspenderem todos ou alguns usos desses agrotóxicos.”, isso ainda em 2008.

 

Desde então o uso dos neonicotinóides não sofreu mais nenhuma restrição por parte da ANVISA ou IBAMA, devo inclusive mencionar os casos recentes de perdas massivas de colméias no Sul do País, em regiões próximas ao uso destes agrotóxicos em questão, como foi o caso de abelhas mortas dectadas em mais de 600 colméias na cidade de Cruz Alta, logo após a morte de abelhas em 108 colméias na cidade de São José das Missões e mais 80 colméias em Ijuí, tudo isto apenas no interior Gaúcho neste mesmo ano.

 

Embora a própria União Européia tenha proibido permanentemente o uso destes agrotóxicos com exceção de estufas desde o dia 1º de Dezembro de 2018 em vias de preservar a presença das abelhas no continente, ainda existem pesquisadores brasileiros, até mesmo toxicólogos, que persistem na temática de que os estudos contrários são inconclusivos e que a dependência do agricultor brasileiro deste inseticida é quase absoluto no momento.

 

É de interesse do leitor lembrar que as abelhas são responsáveis não só pela produção de um dos alimentos mais benéficos a saúde que é o seu mel, como também pela manutenção da polinização de inúmeras plantas, muitas das quais servem de base na nossa pirâmide alimentar. Um outro artigo do pesquisador Decio L. Gazzoni, publicado em 2014 também supervisionado pela Embrapa, relata que “cerca de 800 plantas cultivadas necessitam de serviço de polinização em algum grau e 74 delas produzem alimentos de largo consumo.”, sendo portanto esclarecido o qual urgente é defender as abelhas, que são as principais responsáveis pela polinização.

 

Considerando, em análise final, que a produção de alimentos livre de pragas também seja de grande preocupação ao governo, a solução para esta crise se encontra na criação e inserção de novos inseticidas menos invasivos, além da manutenção mais segura dos que já são utilizados, com aplicações mais atentas às estações e regiões de alcance, pois mais importante que produzir em grande escala para atender uma demanda cada vez maior é garantir também a biodiversidade e integridade do que está sendo produzido, quando alimentos pobres em nutrientes não compensam pela sua quantidade.

 

 

 

 

 

 

Fontes:

 

https://www.researchgate.net/publication/257307269_EFEITOS_DOS_AGROTOXICOS_SOBRE_AS_ABELHAS_SILVESTRES_NO_BRASIL_I_B_A_M_A

https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/03/05/O-lugar-dos-neonicotinoides-na-morte-das-abelhas-no-Brasil-e-na-Europa

http://portal.anvisa.gov.br/registros-e-autorizacoes/agrotoxicos/produtos/registro
https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1003625/polinizadores-e-o-impacto-dos-processos-agricolas

https://guaiba.com.br/2019/01/07/detectada-morte-de-abelhas-em-mais-600-colmeias-no-interior-gaucho/

https://www.radioprogresso.com.br/produtor-registra-morte-de-milhares-abelhas-no-interior-de-ijui/

http://www.sindiveg.org.br/upload/pdf_polinizadores/pol01.pdf

https://www.confagri.pt/inseticidas-neonicotinoides-so-sao-permitidos-estufas-partir-19-dezembro/

 

 

  Autor: Caio S. Duarte





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