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Cotidiana Brasilis
Desde: 09/03/2019      Publicadas: 5      Atualização: 19/03/2019

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  09/03/2019
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Crianças perdidas na terra dos adultos

Como a hipersexualização de crianças vem se tornado cada vez mais comum devido à falta de bom senso de seus responsáveis e influências da parte negativa da mídia.

Numa época não tão longínqua seria difícil de sequer conceber a ideia de que nos dias de hoje crianças estariam praticando danças eróticas ou se maquiando sem o menor pudor ao invés de estarem brincando de coisas como jogos de tabuleiro ou pula-pula, mas infelizmente é o que tem acontecido agora e, preocupantemente, cada vez mais se pode presenciar isso que podemos chamar de erotização de crianças.

 

Tal fenômeno inescrupuloso não só se tornou visível em âmbitos locais, mas também internacionais, são notados diversos casos promovidos pela própria mídia que deveria denunciar este tipo de situação, tal quadro se encaixa no que foi denominado como pedofilia corporativa pelo apresentador e diretor australiano Phillip Adams, usado pelo mesmo para descrever a manipulação de crianças para o benefício próprio de adultos que controlam específicas corporações e como isso se assemelha ao abuso de crianças por outros adultos para fins sexuais, em suas palavras ele disse, já em 2007, que “a idade do consentimento para o comércio certamente foi diminuída. Você ainda não pode seduzir uma criança fisicamente, mas [varejistas e publicitários] podem seduzí-las de qualquer outra maneira... É a sedução da inocência que é objetificada”, desde então a situação não melhorou.

 

A professora de Filosofia e Ética Dr Emma Rush, também australiana, adotou o termo de pedofilia corporativa para se focar apenas no viés da sexualização infantil causada pelas publicidades destas corporações mencionadas acima, caracterizando estes anúncios como aqueles que, segundo ela, “ procuram apresentar crianças de formas sexuais sugestivamente ou procuram vender produtos para crianças usando formas evidentes de sexualização adulta”, complementando que os responsáveis por estas publicidades exploram inclusive as fases em que as crianças ainda estão aprendendo a assimilar o conteúdo exposto, se aproveitando de sua inocência, diz ela que:

 

Pesquisas sobre o entendimento das crianças sobre publicidade televisiva mostram consistentemente que as crianças mais novas (menores de oito anos) têm uma compreensão da publicidade menos desenvolvida do que as crianças mais velhas. Em particular, as crianças mais velhas compreendem a intenção persuasiva da publicidade, enquanto que as crianças mais novas têm mais probabilidade de ver a mesma publicidade como informativa. À medida que as crianças mais velhas se tornam adolescentes, embora compreendam a intenção persuasiva, elas estão entrando num período vulnerável de autoconsciência, o que os profissionais de marketing exploram.” - Dr Emma Rush, 2006.

 

Não é difícil de reparar que após o constante bombardeio deste tipo de publicidade sobre a população incauta se tornou mais presente este tipo de comportamento no mundo inteiro, especialmente no Brasil, que também sofre de outra influência parcialmente negativa que é o funk nacional, onde jovens com cada vez menor idade se iniciam na dança extremamente sensualizada deste estilo musical, com o agravo que são as letras de várias músicas deste gênero de cunho explicitamente sexual, alguns até promovendo o abuso sexual e a violência generalizada, o que mesmo sendo um possível retrato das circunstâncias atuais na sociedade em determinadas regiões, não deixa de ser um péssimo exemplo para quem está em fase de crescimento.

 

Em adição a psicóloga francesa mestre em psicanálise Denise Gaelzer Mac Ginity, ao explicar porque esse problema é mais presente no Brasil do que na França, diz existir no Brasil uma cultura do exagero ou narcisista, por influênca dos EUA, “Eu vejo que no Brasil, os pequenos que gostam disso [embelezamento] acabam gerando um comportamento exagerado dos pais, que levam os filhos no salão de beleza, fazem aquelas festas imensas de aniversário, e transformam as crianças em miniadultos”, diz ela.

 

Em meio a todos estes fatores o que já era sexualização, agora tem se tornado hipersexualização de crianças, quando as mensagens eram sugestivas e indiretas, elas agora são mais explícitas e diretas, vemos na internet e outros meios de informação relatos e denúncias de crianças de até 12 anos de idade que chegam a publicar, através de seus “responsáveis”, vídeos de pole dance (uma dança erótica em torno de uma barra de metal), de danças de twerk (uma dança focada nos quadris altamente sensualizada) e até vestidas de prostitutas por motivos obscuros, além de outras cenas tão eticamente repulsivas como estas.

 

Para a psicóloga franco-brasileira Elisa dos Mares Guia-Menendez “a criança não tem consciência de que está sendo obrigada a se erotizar. Por isso, em um primeiro momento, pode até parecer que ela aprecia a situação ao atrair atenção com aquele comportamento sexualizado. No entanto, quando ela chegar à adolescência ou à vida adulta e se der conta do que aquilo significou, ela vai ficar sem chão”.

 

É preciso perceber que assim como os próprios orgãos sexuais dessas crianças, suas visões do mundo sexual ainda estão em desenvolvimento e apressar os estágios desse entendimento por conta de interesses egoístas de lucro financeiro, ou pior, só as levarão a criar desordens neste âmbito tão importante da vida humana, o que pode ter séria consequências na sociedade como um todo, sendo por desventura o que vemos no momento atual de tantas crises que nos rondam, inclusive a moral.

 

Considerando contudo que o meio adulto também defenda seu direito ao espaço e divulgação de seus interesses, seria intangível pedir a interrupção absoluta do que no meio adulto poderia influenciar negativamente o crescimento adequado das crianças, mas é necessário criar uma divisão mais objetiva do espaço adulto e do espaço infantil, pois com toda a liberdade de informação que se veio na onda da internet, também chegou uma exposição desenfreada a todo tipo de informação, podendo ser por aí que crianças tenham tido acesso a conteúdos que não deveriam chegar a elas.

 

 

 

Fontes:

https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/noticia/2015/04/funkeiros-mirins-sexualizacao-precoce-ou-reflexo-do-cotidiano-4747381.html

https://www.cesjf.br/revistas/cesrevista/edicoes/2007/adolescencia_a_violencia_no_baile_funk.pdf

https://www.aph.gov.au/binaries/senate/committee/eca_ctte/sexualisation_of_children/submissions/sub98.pdf

https://www.researchgate.net/publication/240609488_Corporate_Paedophilia_Sexualisation_of_children_in_Australia

https://www.trustedclothes.com/blog/2016/03/08/working-title-sexualization-of-young-girls-in-advertising/

http://br.rfi.fr/brasil/20190125-mc-melody-por-que-hipersexualizacao-atinge-mais-criancas-brasileiras-que-francesas

 

  Autor: Caio S. Duarte


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